Filtragem e renovação de ar em períodos de queimadas: o que muda nos ambientes internos.

Durante o pico das queimadas no Brasil, a concentração de material particulado fino na atmosfera atinge níveis que comprometem ambientes internos mesmo em cidades distantes dos focos de incêndio. Em 2024, a Organização Mundial da Saúde já apontava que mais de 99% da população mundial respira ar fora dos limites recomendados de poluição, com 7 milhões de mortes prematuras por ano associadas a esse fator. Em temporadas como a do segundo semestre, quando o Centro-Oeste convive com baixa umidade e elevada incidência de queimadas, a leitura sobre o ar interno deixa de ser questão de conforto e entra no campo da operação técnica.
Por que o ar dentro dos prédios também piora
Quando a fumaça externa cresce, o ar que entra pelas infiltrações naturais e pelas tomadas de ar exterior dos sistemas de climatização traz consigo o mesmo material particulado que está suspenso lá fora. As partículas com diâmetro inferior a 2,5 micrômetros, classificadas como MP 2.5, atravessam o trato respiratório, alcançam os alvéolos pulmonares e entram na corrente sanguínea.
Em edificações com sistemas HVAC mal projetados ou com manutenção atrasada, a situação se agrava. Filtros saturados perdem eficiência, dutos com vedação deficiente permitem entrada de ar não tratado e tomadas de ar exterior posicionadas próximas a fontes de poluição puxam justamente o que se quer evitar.
O papel da filtragem em sistemas de climatização
A filtragem é a primeira barreira contra material particulado. Em sistemas comerciais e residenciais de médio porte, o uso de filtros classe G4 isolados costuma ser insuficiente para reter partículas finas. A combinação de pré-filtros com filtros F7, F9 ou HEPA, especificada conforme a aplicação, eleva a retenção de partículas para faixas adequadas a ambientes que exigem qualidade do ar interno controlada. Hospitais, laboratórios, salas-limpas e ambientes corporativos de alta ocupação são exemplos em que essa cadeia de filtragem deixa de ser opcional.
Patrick Galletti, engenheiro mecatrônico e CEO do Grupo RETEC, costuma destacar que a filtragem precisa ser tratada como parte do sistema, não como acessório. A escolha do filtro está diretamente ligada à pressão estática do equipamento, à velocidade do ar no duto e ao plano de manutenção. Um filtro de alta eficiência instalado em um sistema que não foi dimensionado para sustentá-lo gera queda de vazão, sobrecarga no motor e perda de desempenho.
Renovação de ar e o equilíbrio com a filtragem
Em períodos de queimadas, a renovação de ar passa a ser uma decisão de engenharia, não uma rotina automática. Tomar ar exterior sem tratamento durante o pico de fumaça apenas transporta o problema para dentro do ambiente. A saída técnica está em sistemas de tratamento de ar que combinam renovação controlada com filtragem fina, mantendo o nível de dióxido de carbono interno em faixas seguras sem comprometer a qualidade do ar.
Em obras de médio e grande porte, a especificação correta de unidades de tratamento de ar, dampers motorizados, sensores de qualidade do ar e filtros adequados define o desempenho real do sistema durante eventos atmosféricos críticos. O dimensionamento precisa considerar não apenas a operação em dias comuns, mas a capacidade do sistema de manter o ambiente interno protegido quando o ar externo se deteriora.
Alguns grupos são mais vulneráveis aos efeitos da poluição causada pelas queimadas, como:
Quando o purificador resolve e quando não resolve
Purificadores de ar autônomos têm aplicação clara em ambientes residenciais e pequenos espaços comerciais. Modelos com filtragem HEPA reduzem a concentração de partículas finas no volume de ar tratado, contribuindo para a redução de sintomas respiratórios em pessoas mais sensíveis. A limitação aparece quando o equipamento é instalado em ambientes muito superiores à sua vazão de tratamento, em locais com infiltração descontrolada, ou quando substitui a manutenção do sistema central de climatização.
Em construções comerciais, corporativas e hospitalares, a abordagem correta é técnica e centralizada. O purificador pode complementar áreas críticas, mas a base do controle está no sistema HVAC, na filtragem especificada, na renovação dimensionada e na manutenção periódica conforme o PMOC, exigido pela legislação.
O que considerar antes da próxima temporada
Algumas verificações práticas reduzem o impacto das queimadas nos ambientes internos:
- - Avaliar o estado dos filtros instalados e a classe especificada para cada equipamento.
- - Verificar a vedação dos dutos e o posicionamento das tomadas de ar exterior.
- - Conferir o cumprimento do Plano de Manutenção, Operação e Controle (PMOC) e a frequência das limpezas.
- - Em ambientes corporativos e hospitalares, revisar a capacidade do sistema de tratamento de ar para sustentar filtragem fina sem perda de vazão.
- - Considerar sensores de qualidade do ar para acompanhar concentração de MP 2.5 e CO₂ em tempo real.
A RETEC fornece soluções para sistemas de climatização, ventilação e tratamento de ar em obras de médio e grande porte, incluindo filtragem, renovação e isolamento térmico. Para decisões técnicas alinhadas a cada aplicação, fale com a nossa equipe.
Participamos de uma matéria sobre esse tema no Terra (Vida e Estilo / Saúde). O tema do papel dos purificadores em períodos de queimadas foi abordado em entrevista com Patrick Galletti, CEO do Grupo RETEC. Leia em: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/com-queimadas-purificadores-de-ar-previnem-doencas-respiratorias,abf9f4587c3c58a3d846e475d538d1364tfnxhgf.html
